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Cerquilho completa 69 anos de emancipação

04/04/2018 | 10:43
Cerquilho completa 69 anos de emancipação
Em 3 de abril de 1949, tomavam posse o primeiro prefeito da cidade, Antonio Souto, e vereadores em prédio situado na rua dr. Campos

A história de Cerquilho começou por volta de 1811, quando a cerca de duas léguas ao sul da Freguesia da Santíssima Trindade de Pirapora (Tietê) já existia junto a um ribeirão tributário do Rio Sorocaba e uma encruzilhada de duas estradas o cercado de pau a pique – que servia de pousada para tropeiros, denominado “Cerquinho”.
Segundo arquivos históricos, foram os primeiros colonizadores da região de Cerquilho os mesmos desbravadores de sertões que, vindos de Itu e Porto Feliz, plantaram às margens do Rio Tietê o povoado que, mais tarde, veio a herdar o nome do rio e, em seguida, adentrando à mataria e atraídos pela fertilidade das terras adjacentes ao Rio Sorocaba, ergueram ranchos ou formaram fazendas no lado sul de Tietê.
Destas, quase todas lavradas pelo braço escravo, restaram vestígios e seus nomes: “Aliança”, “Cachoeira”, “Vitória”, “Pontes”, “Tavares”, “Itapema”, “Galo de Ouro”, “Adolphina”, “Santa Maria”, “Estiva”, “Corcovado”, “Luiza Benta”, que abrangiam, em seu conjunto, quase a totalidade do território atual de Cerquilho.
PRIMEIROS MORADORES – Mas o arraial de Cerquilho ainda não nascera, pois essas fazendas tinham Tietê como núcleo urbano e comercial.
Em 1882, a empresa Sorocabana chegou a Cerquilho e, em terras situadas às margens das fazendas “Santa Maria”, de Maria Luiza de Camargo (Nhá Moça), “Estiva”, de Antonio Teixeira de Assumpção, e “Galo de Ouro”, de Joaquim Vieira de Arruda, abriu um extenso pátio ferroviário e ergueu uma pequena estação ao lado dos ranchos onde moravam os caboclos Francisco, Ricardo e Antonio Arruda Machado e os negros “forros” de nomes Elesbão, Custódio, João, Manoel, Joaquim e Inácio (alforriados que haviam sido de Luís dos Reis, que também lhes doara alqueires de terra).
Perto da estação, moravam, em seus sítios, o português José Rodrigues Serrão e o mestiço de alemão Joaquim Poolmer, tendo sido esses, portanto, os primeiros moradores do povoado, propriamente dito, que, plantado pela Sorocabana a pouco mais de meia légua do “pouso” de tropeiros, chamou-se Cerquilho. Logo em seguida, Nhá Moça começou a formar, vizinha à estação, a “Fazendinha”, sede da fazenda “Santa Maria”.
Da estação de Cerquilho, construiu-se o ramal para Tietê, cujo trajeto, pouco depois de sua inauguração ocorrida em 30 de dezembro de 1882, foi percorrido pelo imperador Dom Pedro II, que veio inaugurar a ponte da ferrovia entre Cerquilho e Laranjal Paulista.
Sendo a nascente povoação em local de convergência dos que trabalhavam na construção da Sorocabana e situada em meio às férteis terras das fazendas próximas, começou a atrair forasteiros e migrantes.
Ainda antes da Abolição da Escravatura, entre 1882 e 1888, em Cerquilho, chegaram os portugueses Antonio Costa Magueta (que comprou as fazendas “Cachoeira” e “Galo de Ouro”), Antonio José Dias (que comprou e ampliou a fazenda “Itapema”), Manoel Rodrigues (que formou a fazenda “Bom Jesus”), o italiano Corradi Segundo (que adquiriu parte da fazenda “Santa Maria”) e o espanhol Bento Souto (que comprou a “Estiva” e vizinhanças do povoado).
Na mesma ocasião, chegaram os espanhóis Damas Mariño, Manoel Souto, Paulo Brebal, España e Juan Gonçalves, além de umas 20 famílias de portugueses, entre os quais, João Domingues Barreto e Manoel Batista Assis, que abriram suas vendas de “secos e molhados” – a primeira já tinha sido aberta pelo caboclo Joaquim Lisboa.
Ao nascer da povoação, foi instalada a primeira escola primária, regida por dona Olinta Freitas.
SÃO JOSÉ – Promulgada a libertação dos escravos, aumentou-se o fluxo imigratório da região, afluindo ao povoado em maior número os italianos (entre 1889 e 1900 em Cerquilho) e não demorou o início do retalhamento dos latifúndios.
Incrementou-se a lavoura do café (com destaque para as famílias de Pedro Dorighello e Arnaldo Rodrigues), de cereais (destaque para as famílias Gaiotto, Luvizotto, Belucci, De Nadai, Cisotto e Moretti) e da uva (com destaque para as famílias Souto, Sanson, Bettini e Grando), surgindo sítios e fazendas.
Daí, houve crescimento do povoado, que ergueu sua primeira capela sob invocação de São José como padroeiro e, em 1909, houve a construção de outra, já bem maior, em substituição à primeira.
Três anos depois, em 1912, foi implantada a luz elétrica, da empresa de dr. Alberto de San Juan, cuja usina fora construída no Rio Sorocaba, na fazenda “Vitória” (hoje Represa).
VILA DA FREGUESIA – Em 14 de julho de 1914, o povoado recebeu o nome de Vila da Freguesia de São José de Cerquilho, sendo nomeado seu vigário o padre José Castanheira, português que já se encontrava anos no local.
Por Lei Estadual, promulgada em 18 de dezembro de 1914, foi criado o Distrito de Paz, primeiro passo na vida política e administrativa de Cerquilho, podendo ser considerados como seus fundadores: Domingos de Almeida Campos, advogado, que fora deputado da província de São Paulo em 1864/1865; dr. José Soares Hungria (várias vezes deputado estadual pelo velho Partido Republicano Paulista (PRP); Corradi Segundo, que se naturalizou brasileiro e foi sub-prefeito do Distrito desde a sua instalação em 1915 até 1930; Antonio Costa Magueta; Bento Souto (doador do terreno do Cemitério); Giovani Gaiotto; Francisco Antunes Cardia; Antonio Joaquim (1º juiz de Paz) e sua esposa, a professora Elisa Barbosa; João Audi; Lourenço Nitrini; Paulo Grando e Paulo Brebal do Valle (que foi sogro do presidente Jânio Quadros).
Como primeiro titular do Registro Civil foi nomeado José Rodrigues Leite e, como primeiro sub-delegado de polícia, Orlando Souto.
Em 4 de outubro de 1926, sob liderança de Fernando Grando, foi fundada a Associação Esportiva São José, entidade social, recreativa e esportiva.
No ano de 1942, o cerquilhense José Dalla Torre, conhecido por “Cobra”, descobriu o carvão mineral próximo ao Rio Sorocaba, no bairro Aliança, que foi explorado pela Cia. Industrial de Mineração e Obras, dando emprego para mais de 100 pessoas, cuja folha de pagamento era toda consumida pelo comércio local, elevando a vida do Distrito, abandonado até 2 de abril de 1949. Entre os funcionários da Mina de Carvão, destacavam-se Benedito Morato, Arlindo Campana e Jerônimo Jover Telles (Nêne).
EMANCIPAÇÃO – No ano de 1948, iniciou-se a luta pela emancipação do distrito à cidade, encabeçada pelo idealista Ângelo Gaiotto, com todos os méritos, o “Pai da Emancipação”, que não se esmoreceu e foi convidando amigos e inimigos políticos a se unirem em prol da emancipação, a fim de enfrentar a árdua batalha que se travaria contra políticos de Tietê que, no entanto, a compreenderam como justa.
A união fez a força: com reuniões diárias nas residências de Jacob Audi, João Audi, José Corradi e Ângelo Gaiotto e na casa da Mina de Carvão, sempre contando com apoio da comunidade cerquilhense, a primeira vitória foi alcançada.
SEGUNDA VITÓRIA – Em 24 de dezembro de 1948, foi promulgada, pelo então governador Adhemar Pereira de Barros, a Lei 233, criando o município de Cerquilho. Antes, em 30 de janeiro de 1948, uma explosão em um vagão estacionado em frente à estação férrea deixou quatro mortos: Luiz Urso, Carlos Sebastiani, Nestor Falcim e Gabriel Vieira da Cruz, arrasando o então Distrito.
TERCEIRA VITÓRIA – Em 13 de março de 1949, foi realizada a eleição para a escolha do primeiro prefeito e dos vereadores da primeira Câmara de Cerquilho, concorrendo apenas um partido e elegendo Antonio “Tita” Souto prefeito e os vereadores dr. Vinicio Mário Morico Gagliardi, professora Albertina Audi, Francisco Gaiotto, Benedito Morato, Emílio Biagioni, Antonio Módena, Pedro Gaiotto, Antonio Gonçalves, Orlando Luvizotto, João de Castro, João Gaiotto, David Módolo e João Sanson (primeiro presidente da Câmara).
Em 3 de abril de 1949, data magna, o magistrado Antonio Gonçalves Gonzaga, juiz de Direito de Tietê, deu posse ao prefeito e vereadores em sessão solene realizada no prédio situado à rua dr. Campos, 322 – então sede social da Associação Esportiva São José (que virou propriedade da família de Francisco Simão).
Em 1999, Cerquilho tornou-se oficialmente a chamada “Cidade das Rosas” e, mais tarde, “Cidade das Rosas e dos Tropeiros”. Em 2000, foi ainda elevada à Comarca.
EXECUTIVO – Até o presente momento, foram prefeitos de Cerquilho: Antonio Souto, João Sanson (duas vezes), José Orestes Corradi, João Pilon, Alcides de Nadai (três vezes), José Pilon, William Nicolau, Otávio Pilon Filho (Tavinho), Paulo Roberto Pilon (Du), dr. Manoel Eduardo Borges (interino) e dr. Antonio Del Ben Júnior (Tó).
O atual prefeito é Aldomir José Sanson (quatro vezes).
Neste 3 de abril, Cerquilho comemora 69 anos de emancipação político-administrativa, com merecido reconhecimento.
(Pesquisa e colaboração
de Deraldo Rodrigues,
in memoriam)
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